Ou é espontâneo, ou não é amor

coracaoPresta bem atenção: amor não se pede, meu bem. Ou é espontâneo, ou não é amor. Se não, é a gente quem perde. Perde tempo, perde tanto… Perde vida esperando o outro crescer para caber no tamanho do nosso abraço. É que feliz pela metade não completa a vida. Colecionar ausências não preenche o peito. Amor pode até carregar feridas da convivência, mas ele precisa se manter inteiro.

Sabe essa tua mania de mendigar carinho? Implorar atenção? Clamar por confiança? Ta tudo ao contrário, meu bem. A verdadeira doação é voluntária. Afeto é gratuito. Mas quando abrimos o coração e cedemos tanto, e de volta recebemos tão pouco, é chegada a hora de calcular o que anda restando de troco. O preço que você está pagando pode ser alto demais.

Vê esses passos largos de quem tenta carregar tudo sozinha? A dor que te causa o peso nos ombros? O cansaço que te comprime o peito? Ta tudo errado, meu bem. Caminhada a dois tem que ser feita de mãos dadas. Da poeira à poesia, tudo deve ser compartilhado. Mas quando “doar” e “doer” começam a andar juntos, faz mais sentido desviar da estrada e marchar sozinha.

Percebe essas desculpas cada vez mais tortas que ele joga aos teus pés? O atraso do ônibus? O trampo do fim de semana? A dor de cabeça que não passa? Tá tudo diferente do que um dia já foi, meu bem. Ele tem aconchegado indiferença ao teu lado fingindo que ainda é bem-querer. Você faz de conta que está confortável, mas no fundo, sabe que a câimbra que isso te causa não é passageira. Você se acostumou tanto à ideia de tê-lo, que nem se deu conta de quanto tempo faz que já o perdeu.

Sabe as lágrimas que costumam te visitar toda noite? Quando elas começam a desabrochar mais do que os sorrisos, é porque não é mais o amor quem rega o peito. E não adianta pedir nem mais uma gota, na esperança de que ela seja o suficiente pra lavar tua alma. Uma gota não mata a sede de um coração murcho, meu bem. Além disso, amor não se pede, lembra? Ou é espontâneo, ou não é amor.

[Fui convidada pra participar de um projeto super bacana que reuniu várias feras da escrita. Este é o primeiro trabalho coletivo dos “Escritores da Era do Compartilhamento” e tem como tema “Não me venha com desculpas tortas”. Leia também a Thaís Veríssimo, Leca Lichacovski, Ju Umerlino, Fernanda Probst, Valter Junior, Fábio Chap, Celio Heitor Sordi, Joany Talon, Flávia Oliveira e Pâmela Marques, Fernando Suhet , Monalisa Macêdo, Taciana Gaideski, Cíntia Gomes, Alysson Augusto, Gabriela Freitas e Jô Lima. ]

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